domingo, 3 de junho de 2012

Da dignidade da política: Hannah Arendt


Por Celso Lafer


No meio universitário, nas décadas de 1970 e 1980, o pensamento de Hannah Arendt despertou relativamente pouco interesse. As dificuldades de contato com essa obra, na universidade, foram de várias ordens. Inicialmente, ao considerar-se a situação dos cientistas sociais, as dificuldades tinham a ver com o modo como se concebia a relação entre a política e a história. A tradição das ciências sociais no Brasil formou-se na crença de que a história constitui um processo progressivo na direção do ingresso do país na vida moderna. Com base nesse pressuposto, concebeu-se a política como um instrumento que faria avançar ou retardar a realização dessa finalidade histórica. O resultado dessa visão foi que a orientação predominante no pensamento social brasileiro considerou a política em uma posição subordinada à história. Para Hannah Arendt, ao contrário, a vida política tem dignidade própria. A ação, atividade política por excelência, possui um caráter imprevisível, inaugural, quase milagroso. Por esse motivo, ela se apresenta como ruptura dos encadeamentos históricos. Hannah Arendt comentou, em um de seus ensaios, que a modernidade teria frustrado, em vários momentos, a possibilidade de se elaborar uma teoria da política, substituindo-a por uma filosofia da história. A concepção de política de Hannah Arendt situa-se à distância de toda forma de progressismo e também não é conservadora, já que as duas posições repousam na idéia de que a história segue um curso já traçado, o que impede a apreensão do caráter inovador da ação política. (Eduardo Jardim)


REVISTA DISCURSO 



HANNAH ARENDT by Margarethe von Trotta - Trailer (HQ)

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