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Pesquisando na Internet sobre blog (s) de Filosofia, encontrei o "Filosofia na mídia", da professora Silena. Selecionei três postagens referentes aos temas: liberdade, desenvolvimento científico e filosofia política. Muito interessante a participação (interação) dos alunos fazendo comentários sobre as "tirinhas" da Mafalda e o uso da ferramenta (blog) pela professora.
(...) O professor não precisa utilizar a antiga caneta vermelha para sublinhar o que estava errado, mas este pode oferecer informações sobre o "erro" do aluno e os caminhos a serem percorridos para uma melhora , se necessária , em sua construção de conhecimento. Partindo do espaço "comentários" o professor interage com o aluno mais facilmente, instigando-o a pensar e resolver soluções. Este é um grande objetivo hoje, dentro de um currículo voltado para competências como nos coloca nossos Referenciais Nacionais de Educação.
Respeitando os saberes e autonomia do professor, estas orientações apresentam algumas propostas/atividades com o intuito de nortear os trabalhos em sala de aula no início do ano letivo.
Dado que a prática docente, por meio do diálogo e trocas de experiências e saberes entre docentes e discentes, o trabalho colaborativo entre comunidade, gestão e professores, bem como, o trabalho cooperativo interdisciplinar, principalmente com a área de Ciências Humanas, aquela possibilitou ao professor elaborar um diagnóstico de suas salas de aulas.
Assim, ciente da realidade de sua escola e comunidade, o docente (re) elabora seu plano de ensino, tendo como referencial os seus saberes, o Currículo Oficial do Estado de São Paulo, os livros didáticos da disciplina Filosofia e as propostas/orientações que segue. Dessa forma, favorece o processo de ensino aprendizagem com qualidade.
Fonte: Orientações para os primeiros dias letivos 2013, pg. 52
Para ler o documento com orientações referente à disciplina de Filosofia, acesse link abaixo
A
Filosofia voltou a compor a grade curricular como disciplina obrigatória,
depois de décadas de afastamento e, mesmo depois de quase uma dezena de anos de
retorno ao currículo, ainda pode ser vista como “novidade” pelas novas gerações
de gestores, professores, pais de alunos e discentes. Pela sua “novidade”, ela
ainda suscita perguntas, tais como: “O que é filosofia?” “Qual a função do
ensino de filosofia nos atuais formatos curriculares?” “Como essa disciplina
acrescentará ou mudará o cotidiano?” Em outros termos, “Para que Filosofia?”.
Tais indagações permitem ao professor da disciplina trazer para os alunos a
importância da Filosofia como experiência formativa que se processa a partir do
exercício reflexivo, na elaboração de perguntas, conceitos e da crítica
elaboradas pela tradição filosófica.
As
indagações sobre a Filosofia podem, ainda, ser apropriadas como um tipo de
sondagem que permitirá ao docente mapear conceitos e juízos de valores, a
construção argumentativa, e as dificuldades presentes nos argumentos a fim de
aprimorar o universo discursivo, ao mesmo tempo em que promove a consciência
crítica dos alunos acerca dos valores e das concepções de mundo.
Ou
seja, as perguntas e as dúvidas acerca da Filosofia podem ser utilizadas como
um diagnóstico que fundamente um plano de ensino, que contemple a realidade da
escola, das diferentes séries e salas de aula, e dialogue com o Currículo Oficial de Filosofia do Estado de São Paulo.
Nesse
contexto, o objetivo do planejamento é apoiar as práticas docentes, bem como as
novas estratégias e métodos de ensino e formas de avaliações. Tais
procedimentos contribuirão para: a) desenvolver, ampliar e sofisticar os saberes
discentes; b) analisar e apresentar possíveis soluções para situações
problemas, as quais os alunos são conduzidos a exercerem seu raciocínio lógico,
reelaborar conceitos e argumentos, etc.
No
planejamento, o professor poderá propor reflexões que permitem aos alunos compreender
melhor a história da tradição filosófica, as relações histórico-sociais,
filosófico culturais, com o objetivo de promover um entendimento mais elaborado
sobre o caráter formativo da Filosofia e suas relações com o exercício da
democracia, participação política e desenvolvimento do senso crítico.
Fonte: Orientações para o Planejamento Escolar de 2013, pg. 74 e 75
Para ler o documento com orientações referente à disciplina de Filosofia, acesse link abaixo
Sêneca escreveu As Relações Humanas em sua velhice quando já se tinha retirado da Corte para sua casa de campo. É uma série de cartas que ele dirige a Lucílio, não apenas um discípulo à distância, mas um amigo com quem ele partilha conhecimentos. A amizade é concebida como uma relação em que as parte se doam em envolvimento profundo, tal como ele diz inicialmente: "tu não poderás ler-me, não poderás lucrar com as minhas cartas se não souberes o que devemos ser um para o outro, se não compreenderes que essa troca de cartas deve também ser uma troca de almas". Assim, as cartas consagradas à amizade é um prelúdio que exorta o discípulo a cultivar com o mestre uma amizade virtuosa e inteira, para em seguida propiciar o desenvolvimento de temas mais aprofundados, aqueles que levarão o amigo à sabedoria. É assim que na seqüência vem os temas da eloqüência e dos livros, da atitude do sábio diante da morte, e, por último, a filosofia. Procura-se conduzir uma alma de qualidade à sabedoria, a discernir os verdadeiros valores, a viver segundo a Razão, a guiá-la para a contemplação da Natureza, portanto do Divino. O verdadeiro conhecimento é aquele que permite descobrir a Natureza e viver em harmonia com ela. Sobretudo, ele nos liberta do medo da morte. É missão do filósofo levar o homem a superar essa angústia. Meditações aprofundadas sobre a morte, sobre a amizade, sobre a filosofia, são encaminhadas a seu destinatário. O professor-amigo é uma chama viva, sempre à procura, dando de si ao outro para dar-se a si mesmo.
Nas relações humanas o perigo é coisa de todos os dias, escreve a Lucílio. Orientava o filósofo que precaver-se bem contra este perigo, estando sempre de olhos bem abertos: não há nenhum outro tão frequente, tão constante, tão enganador! A tempestade ameaça antes de rebentar, os edifícios estalam antes de cair por terra, o fumo anuncia o incêndio próximo: o mal causado pelo homem é súbito e disfarça-se com tanto mais cuidado quanto mais próximo está. Faz-se mal em confiar na aparência das pessoas que a nós nos dirigem: têm rosto humano, mas instintos de feras. Só que nestas apenas o ataque direto é perigoso; se nos passam adiante não voltam atrás à nossa procura. Aliás, orienta Sêneca, somente a necessidade as instiga a fazer mal; a fome ou o medo é que as forçam a lutar. O homem, esse, destrói o seu semelhante por prazer. Tu, contudo, pensando embora nos perigos que te podem vir do homem, pensa também nos teus deveres enquanto homem. Evita, por um lado, que te façam mal, evita, por outro, que faças tu mal a alguém. Alegra-te com a satisfação dos outros, comove-te com os seus dissabores, nunca te esqueças dos serviços que deves prestar, nem dos perigos a evitar. Que ganharás tu vivendo segundo esta norma? Se não evitas que te façam mal, pelo menos consegues que te não tomem por tolo. Acima de tudo, porém, refugia-te na filosofia: ela te protegerá no seu seio, neste templo sagrado viverás seguro ou, pelo menos, mais seguro.
A sabedoria de Sêneca não se limitava a teoria. Sua prática voltava-se para si mesmo, numa passagem ele pergunta: Que progresso já consegui? Comecei a ser amigo de mim mesmo.