sábado, 3 de março de 2018

Professor da UNB cria site que disponibiliza obras em português de filósofos africanos


Para incrementar a cultura africana nas escolas e universidades brasileiras, Wanderson Flor do Nascimento, professor de filosofia da Universidade de Brasília (UNB), criou um site educativo, com obras literárias de filósofos africanos. A página Filosofia Africana se concretizou graças a um estudo realizado por ele, que encontrou como barreira a dificuldade de acesso aos materiais. Segundo o educador, a maioria dos títulos estão disponibilizados apenas em inglês ou francês. Em entrevista ao Jornal de Brasília, Wanderson conta sobre a idealização do projeto e explica como o material contribui para a formação dos estudantes e admiradores da cultura africana. MAIS






quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Exegese da Decadência (Emil Cioran)




“Cada um de nós nasceu com uma dose de pureza, predestinada a ser corrompida pelo comércio com os homens, por esse pecado contra a solidão. Pois cada um de nós faz o impossível para não se ver entregue a si mesmo. O semelhante não é fatalidade, mas tentação de decadência. Incapazes de guardar nossas mãos limpas e nossos corações intactos, chafurdamos sedentos de nojo e entusiastas de pestilência na lama unânime. E quando sonhamos mares convertidos em água benta, é tarde demais para mergulharmos neles, e nossa corrupção demasiado profunda nos impede de afogar-nos ali: o mundo infectou nossa solidão; as marcas dos outros em nós tornam-se indeléveis.

Na escala das criaturas, só o homem pode inspirar um nojo constante. A repugnância que provoca um animal é passageira; não amadurece no pensamento, enquanto que nossos semelhantes inquietam nossas reflexões, infiltram-se no mecanismo de nosso desapego do mundo para nos confirmar em nosso sistema de recusa e de não adesão. Depois de cada conversa, cujo refinamento indica por si só o nível de uma civilização, por que é impossível não sentir saudades do Saara e não invejar as plantas ou os monólogos infinitos da zoologia?

Se com cada palavra obtemos uma vitória sobre o nada, é apenas para melhor sofrer seu domínio. Morremos em proporção às palavras que lançamos em torno de nós... Os que falam não têm segredos. E todos nós falamos; nos traímos, exibimos nosso coração; carrasco do indizível, cada um esforça-se por destruir todos os mistérios, começando pelos seus. E se encontramos os outros, é para aviltar-nos juntos em uma fuga para o vazio, seja no intercâmbio de ideias, nas confissões ou na intrigas. A curiosidade não só provou a primeira queda, como as inúmeras quedas de todos o dias. A vida não é senão esta impaciência de decair, de prostituir as solidões virginais da alma pelo diálogo, negação imemorial e quotidiana do Paraíso. O homem só deveria escutar a si mesmo no êxtase sem fim do Verbo intransmissível, forjar palavras para seus próprios silêncios e acordes audíveis apenas a seus remorsos. Mas ele é o tagarela do universo; fala em nome dos outros; seu eu ama o plural. E o que fala em nome dos outros é sempre impostor. Políticos, reformadores e todos os que reivindicam um pretexto coletivo são trapaceiros. Só a mentira do artista não é total, pois só inventa a si mesmo. Fora do abandono ao incomunicável, da suspensão no meio de nossos arrebatamentos inconsolados e mudos, a vida é apenas um estrondo sobre uma extensão sem coordenadas, e o universo uma geometria que sofre de epilepsia.

(O plural implícito de "se" e o plural confessado do "nós" constituem o refúgio confortável da existência falsa. Só o poeta assume a responsabilidade do "eu", só ele fala em seu próprio nome, só ele tem o direito de fazê-lo. A poesia se degrada quando torna-se permeável à profecia ou à doutrina: a "missão" sufoca o canto, a ideia entrava o voo. O lado "generoso" de Shelley torna caduca a maior parte de sua obra: Shakespeare, felizmente, nunca "serviu" para nada.

O triunfo da não autenticidade tem seu acabamento na atividade filosófica, esta complacência no "se", e na atividade profética[religiosa, moral ou política], esta apoteose do "nós". A definição é a mentira do espírito abstrato; a fórmula inspirada, a mentira do espírito militante: uma definição encontra-se sempre na origem de uma templo; uma fórmula reúne inelutavelmente os fiéis. Assim começam todos os ensinamentos.

Como não se voltar então para a poesia? Ela te- como a vida- a desculpa de não provar nada.)”

(Breviário de Decomposição, pág. 30, ed. Rocco, 2011)


 Interpretação do século XIX da travessia de Caronte, por Alexander Litovchenko




O fazer filosófico de Emil Cioran


Herdeiro da tradição irracionalista, Emil Cioran (1911 – 1995) sugere a impossibilidade de escapar das aflições humanas, visto que não podemos nem afirmar e nem negar a nossa Vontade – a única coisa que restaria, então, seria conviver em um mundo de dor e sem propósito, podendo apenas aceitá-lo ou odiá-lo.

Enfatizando o instinto em detrimento da razão, o filósofo se colocará contra o modo com que é feito o exercício filosófico de seu tempo: um saber artificial e frio, que não toca nas aflições humanas, indiferente ao Homem e apático ao mundo, que suprime pensamentos mais elevados em prol de uma produção fechada em si mesma. MAIS





segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Curso: Gênero, sexualidade e diversidade sexual: desafios para a escola contemporânea



O curso Gênero, sexualidade e diversidade sexual: desafios para a escola contemporânea – 1ª Edição/2018 tem por objetivo a formação continuada dos educadores da SEE-SP. Ele parte da necessidade de garantir o acesso a informações e conhecimentos específicos relativos à diversidade e ao respeito aos direitos humanos e às competências necessárias para estabelecer o diálogo com os alunos, bem como para lidar com conflitos e preconceitos, a fim de que sejam capazes de educar para a garantia de direitos e para o exercício de respeito à diversidade. 

A quem se destina:
A todos os servidores da SEE-SP em exercício em quaisquer categorias, cargos ou funções dos três quadros da SEE-SP: QM, QAE e QSE, conforme a base da CGRH do mês de dezembro de 2017.

Benefícios:
Conhecer os conceitos de diversidade, gênero, sexualidade e relações étnico-raciais e sua aplicação na escola e no currículo;
Compreender a diversidade, de modo a garantir o respeito às diferenças, propiciando mudanças nas práticas pedagógicas das escolas, nos estudantes e na comunidade escolar.

Cronograma:
Inscrições: de 29/01 a 09/02/2018
Período de realização do curso: de 23/02 a 23/05/2018

Modalidade:
A distância, estudos autônomos no AVA-EFAP.

Carga Horária:
90 horas divididas em 3 módulos:

Módulos:
Módulo I – Gênero e educação
Módulo II – Sexualidade, diversidade sexual e educação
Módulo III – Diversidades, diferenças e desigualdades

Certificação:
Para fins de certificação serão considerados dois itens:
Realizar no mínimo 75% das atividades do curso. Como o curso é composto por três módulos é necessário realizar todas as atividades avaliativas do curso para ser aprovado(a).
Obter no mínimo 51% de aproveitamento das atividades avaliativas propostas no curso
Os certificados serão emitidos pela EFAP, após o término do curso e respectiva homologação em DOE.
O cursista apenas será certificado se completar a carga horária e avaliações determinadas neste plano de curso.
O cursista poderá utilizar o certificado do curso para a evolução funcional pela via não acadêmica, de acordo com a legislação vigente para seu quadro de atuação.







sábado, 6 de janeiro de 2018

Boitempo libera curso completo sobre “O capital”, de Marx, no YouTube


Para marcar a publicação do aguardado Livro III de O capital, de Karl Marx, a Boitempo organizou uma edição especial de seu tradicional Curso Livre Marx-Engels dedicada inteiramente à obra-prima de crítica da economia política de Marx. O curso completo está agora disponível integralmente no canal da Boitempo no YouTube, a TV Boitempo!

Coordenado pelo economista Marcelo Dias Carcanholo, o curso é dividido em quatro módulos, ministrados por alguns dos maiores estudiosos da obra marxiana no Brasil: Eleutério Prado, Leda Paulani e Jorge Grespan, além do próprio Carcanholo. Assista ao curso completo abaixo, e não deixe de se inscrever na TV Boitempo para acompanhar outros cursos deste tipo em primeira mão (o próximo curso começa na sexta-feira, dia 1º de outubro, será ministrado pelo psicanalista Christian Dunker e fará ao longo de sete aulas semanais uma leitura comentada de sua obra Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros, vencedora do último prêmio Jabuti)!




sábado, 30 de dezembro de 2017

SEGUNDA TEMPORADA DE "MERLÍ"


Um professor de Filosofia do Ensino Médio causa confusão por onde passa e serve de inspiração para todos os seus alunos, inclusive seu filho homossexual.





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